sábado, 17 de maio de 2008

Breve

''- Por que é que você me pede tanta aspirina? Não estou reclamando, embora isso custe dinheiro.
- É para eu não me doer.
- Como é que é? Hein? Você se dói?
- Eu me dôo o tempo todo.
- Aonde?
- Dentro, não sei explicar.
Aliás, cada vez mais ela não se sabia explicar.''
Clarice Lispector

Os sentimentos borbulhavam dentro dela como água no fogo. Somente os sentimentos, os desejos estavam adormecidos há muito.
Pensar na solidão, no sofrimento que não existia, no drama que ela própria criara, não a aborrecia mais. Aprendera a lidar com suas outras personalidades. Não doía mais.
Talvez houvesse compreendido o sentido da sua existência. Compreendia, porém não explicava.
Lembranças? Ficaram algumas poucas. Somente as necessárias.
A vida começara naquele instante e terminara ali também, para nascer e morrer no instante seguinte.

Luana H.

Um comentário:

Gustavo Paiva disse...

Lu, breve e perfeito!!!

Adorei!!! Dá uma passadinha lá! ^^

BjO!