terça-feira, 16 de junho de 2009

Lua, Luz, Luana.

''Todas essas pequenas rejeições, como elas parecem tão reais para mim
Um aniversário esquecido e eu sou tudo menos uma pessoa
Como esses pequenos abandonos parecem ferir tão facilmente
Tenho 13 anos novamente, eu terei 13 anos para sempre?''
Alanis Morissette - So Unsexy

13 anos para sempre? A doce ''caverninha'' dos 13 anos.
Algumas amigas superficiais. Uma paixão platônica para se distrair. E, pra completar, uma idéia que ainda me assola.
A sensação de ser substituta em tudo. Nunca o primeiro plano.
Jamais o motivo de preocupação e aborrecimento.
Nunca a irresponsável, a errada. De uma maturidade absurda e ridícula. Desnecessária. A problemática que não se revela como tal.
Agora não importa a idade que eu tenho, pois sempre tive a mesma. O que mudaram foram as experiências e o que aprendi com elas. .
E talvez seja essa a minha poesia. Esse conformismo velado...
Essa beleza de não ser a principal, mas a alternativa. Aquela que se procura quando a principal não agrada.
A beleza que se acha nos cantos, no imperceptível.
Porque talvez em mim esteja a esperança. A última esperança. A esperança que se não encontra no brilho ofuscante, mas na calma da luz.

Luana H.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Confissão pequena, (para) um amor grande.

Um tédio enorme da vida. Um tédio disso tudo.
E eu escrevo para não piorar. Aproveito e escrevo para ele.

E eu sinto um tédio enorme quando me dou conta que as coisas não me distraem mais pra eu não pensar tanto em você...
E um tédio maior ainda quando corro os olhos atrás do teu nome online e só vejo os das pessoas de sempre...
Procuro alguém que me distraia com alguma palavra fútil. Inútil, meu amor, totalmente inútil.
Escuto as músicas que lembram você... que lembram a gente. Não que eu realmente precise delas pra lembrar. Qualquer coisa basta. Porque tudo é lembrança. É saudade.
E a tua ausência (pois cada segundo é a eterna ausência)...essa falta que me deixa tonta. Ridícula, meu bem. Ridícula.
Talvez pedir uma promessa de felicidade pra sempre seja um exagero. Podemos não ter esse tempo todo. Ninguém tem.
E aí eu te peço... Você pode me fazer feliz agora?


Luana H.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Para não esquecer da gente.

Olá, amores!
Passando bem rapidinho para responder os comentários e deixar uma música que tenho escutado muito nos últimos dias.

Saiba
Arnaldo Antunes

Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Sadam Hussein
Quem tem grana e quem não tem

Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu

Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar

Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano

Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao Tsé Moisés Ramsés Pelé
Ghandi, Mike Tyson, Salomé

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochete também eu e você

Beijos!


Luana H.

sábado, 16 de maio de 2009

Ausência minha.

''Tenho saudade de mim mesmo, saudade sob aparência de remorso, de tanto que não fui, a sós, a esmo,e de minha alta ausência em meu redor.''
Carlos Drummond de Andrade

Sei que já escrevi isso muitas vezes, mas a saudade de mim mesma vem se tornando cada vez maior.
Saudade dos meus dias comigo.
Ás vezes me pego com vontade de olhar todas as minhas fotos... Não para lembrar daquelas imagens, elas não me saem da memória, mas para olhar e lembrar de como e quem eu era.
Preciso voltar aos lugares que eu frequentava, pois eu ainda estou lá. Seguramente, eu ainda estou.
Preciso reler as cartas que eu escrevi... Preciso reler os livros que me conquistaram... Preciso rever as pessoas que me cativaram.
Não, não pense que quero viver do passado! Longe de mim! Só desejo lembrar de mim e resgatar o que havia de melhor.
Só.

Luana H.

P.S.: Ontem o Contos e Confissões completou um ano! Muito obrigada pela presença, paciência, carinho e amizade de todos vocês!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Eu preciso envelhecer!

35 anos para ser feliz
Martha Medeiros

Uma notinha instigante na Zero Hora de 30/09: foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.
A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes.
Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.
Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem: depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.
Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Onde há gente (de verdade) nesse mundo?

''Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?''
Álvaro de Campos

Digam-me! Onde há gente nesse mundo?
Estou cansada de pessoas boas em tudo. Gente que não erra, não tem espinha, não tem mau hálito quando acorda ou que o cabelo nunca está ruim.
Quero gente que chora! Chora com sinceridade... Sofre com intensidade.
Gente que sorri para uma criança, para um idoso, para um homem, para uma mulher... Gente que sorri!
Meu Deus, por que é tão difícil falar sobre fraquezas?
Eu, sinceramente, me sinto melhor quando falo sobre as minhas. Sinto que isso me aproxima mais das pessoas do que as minhas vitórias.
Estou farta dos super-heróis que me rodeiam. Super-heróis que se esquecem que possuem a maior fraqueza de todas... Ignoram a maravilhosa oportunidade de ser humano.

Luana H.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sobra tanta falta.

''Separô pra ouvir meu protesto, meu gesto que incerto,talvez não faria
Separô o silêncio da dor me trazendo alegria...''
(O Teatro Mágico)

Essa história de vestibular me deixa muito estressada! E carente. Muito carente.
Não carente de beijo na boca, mas carente de atenção e colo!
Tenho me sentido uma criança. Cheia de medos, desejos simples e com uma necessidade absurda de amigos.
Sim! Amigos...
Já contei aqui que me afastei muito deles. Alguns devido à distância, outros devido à, digamos assim, incompatibilidade de pensamentos.
Não...não é solidão. Nem tristeza. É um outro sentimento.
Uma falta profunda daquelas vozes, da amizade de calçada, de final de tarde... Do passeio pelo bairro, do cheiro de bala... Do amor platônico e dos planos infalíveis de conquista aos 12 anos.
Parece saudade. A saudade mais pura e mais ácida que eu já imaginei sentir.
Saudade das horas ao telefone com uma melhor amiga. Hoje só uso o telefone para recados rápidos. E ela não é mais minha melhor amiga.
Saudade dos livros do Pedro Bandeira.
Saudade dos bilhetinhos, cartinhas e desenhos feitos nas últimas páginas dos cadernos.
Simplesmente saudade.

Luana H.